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A Arte da Negociação: resenha honesta e a lição que ninguém percebeu

Livro antigo aberto representando A Arte da Negociacao de Trump

Comecei a ler o livro do Donald Trump por dois motivos. O primeiro era simples: entender como pensa o homem mais poderoso do mundo. O segundo era prático: dizem que ele é um negociador excepcional, e eu queria extrair algo útil sobre a arte de negociar.

Passei da metade do livro. Sobre negociação, confesso, não aprendi nada. Livro chato, claramente ditado por ele e escrito por outra pessoa.

Mas sobre o primeiro ponto, como ele pensa, aí a coisa ficou interessante. E, sendo honesto, um pouco preocupante.

O garoto que leva a bola embora

O retrato que emerge do livro não surpreende quem acompanha o personagem. O cara é tinhoso. Não aceita derrota. Vence muitas das suas batalhas pela pura insistência, pelo cansaço do adversário.

Provavelmente foi o tipo de garoto que levava a bola embora quando estava perdendo a partida de futebol. Sabe aquele? Todo mundo conhece um.

Na real, isso por si só já diz bastante sobre como ele opera. Mas não foi isso que me tirou o sono.

O parágrafo de 1987 que previu o tarifaço de 2025

Numa noite dessas, eu estava lendo o livro na cama e parei num parágrafo que me fez largar as páginas e ficar olhando para o teto.

Livro vintage representando convicções de décadas

Era uma passagem onde Trump fala dos seus clientes japoneses. Gente rica que comprava imóveis dele em Nova York. E ele escreveu o seguinte:

“Felizmente, têm muito dinheiro para gastar e parecem gostar de imóveis. O lamentável é que já há décadas estejam ficando mais ricos em larga medida por ferrar os Estados Unidos com uma política comercial que só favorece a eles e que nossos líderes políticos nunca conseguiram entender ou combater plenamente.”

Pensa comigo.

Isso foi escrito em 1987. Quase quarenta anos atrás. O cara estava com 41 anos, vendendo apartamentos de luxo em Manhattan, e já ruminava a ideia de que os Estados Unidos estavam sendo passados para trás em acordos comerciais.

Agora avança o filme para 2025. O mesmo cara, agora presidente pela segunda vez, implementa o maior tarifaço da história moderna. Guerra comercial aberta com a China, tensão com a Europa, o mundo inteiro recalibrando suas cadeias de suprimentos.

Coincidência? Improviso? Reação ao momento?

Nada disso. Estava escrito. Literalmente.

A diferença entre opinião e convicção

Isso me fez refletir sobre algo que a gente subestima no dia a dia.

Existe uma diferença brutal entre opinião e convicção. Opinião é o que você diz quando alguém pergunta. Muda com o contexto, com a plateia, com o humor do dia. É leve. Descartável.

Convicção é outra coisa. Convicção é o que você carrega em silêncio por décadas. Não precisa de validação. Não se adapta ao que os outros querem ouvir. Fica ali, quieta, esperando.

E quando a oportunidade aparece, a convicção vira ação.

Trump não “decidiu” fazer o tarifaço em 2025. Ele esperou quase quarenta anos para executar algo que já acreditava quando era um empresário imobiliário nos anos 80. A ideia não mudou. Ele é que finalmente teve o poder para colocá-la em prática.

Pode concordar ou discordar da política dele. Não é esse o ponto. O ponto é a mecânica da coisa. A persistência silenciosa de uma ideia que encontra, décadas depois, as condições para se materializar.

O que isso tem a ver com você

Mas o que isso tem a ver com a sua vida?

Pois é. Tudo.

Todo mundo carrega algum plano. Uma visão de algo que faria se tivesse os recursos. Uma empresa que montaria. Uma mudança que implementaria. Um projeto que tiraria do papel.

Às vezes esse plano tem cinco anos. Às vezes tem quinze. Às vezes você nem lembra mais que ele existe, de tão enterrado que ficou debaixo das urgências do dia a dia.

A questão não é se a oportunidade vai aparecer. Oportunidades aparecem com mais frequência do que a gente admite.

A questão é se, quando ela aparecer, você ainda vai lembrar do que queria fazer. Se a convicção ainda vai estar ali, intacta, pronta para virar ação. Ou se virou apenas uma opinião antiga que você já descartou.

Convicção não tem prazo de validade

O livro do Trump não é bom. Vou ser direto. Não recomendo como leitura de cabeceira nem como manual de negociação.

Mas ele me ensinou algo que não esperava aprender. Me ensinou que certas ideias, quando são de verdade, não envelhecem. Não perdem força. Não se diluem com o tempo.

Elas esperam.

E quando a hora chega, executam.

Então fica a pergunta. Você tem algum plano que deseja executar quando tiver poder para tal? Se tem, não deixe ele morrer. Não deixe virar opinião.

Mantenha a convicção viva. Porque a hora chega.

A ponte existe. Alguém precisa cruzar primeiro.

Perguntas frequentes

Vale a pena ler A Arte da Negociação do Trump?
Sendo honesto, não. Sobre técnicas de negociação, não ensina nada prático. Porém, como janela para entender como o Trump pensa e toma decisões, tem valor.

O tarifaço de 2025 foi planejado ou improvisado?
Com base no próprio livro, escrito em 1987, a visão de que os EUA estavam sendo prejudicados já existia há quase 40 anos. Não foi impulso — foi execução de uma convicção de décadas.

Qual a diferença entre opinião e convicção na prática?
Opinião é o que você diz quando perguntam. Muda conforme o contexto. Convicção é o que você carrega em silêncio e executa quando tem poder para isso.


Mauro Favoretto é CEO da Kargu, físico formado pela USP e escreve sobre liderança, empreendedorismo e tecnologia.

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