Essa semana, quatro notícias me fizeram fechar o notebook e ficar olhando para o teto.
Não por medo. Por espanto. Aquele tipo de espanto que vem quando você percebe que o futuro não está chegando. Ele já passou por você e está lá na frente, acenando.
Toda sexta eu separo o que li, as conversas que tive, os amigos que fiz. Mastigo tudo e trago aqui. Para a gente evoluir junto. Porque sozinho é mais lento. E lento, nesse ritmo, é perigoso.
Vem comigo.
Cientistas emularam o cérebro inteiro de uma mosca dentro de um computador
Cientistas mapearam completamente o cérebro de uma mosca-das-frutas, a Drosophila melanogaster, e emularam essa mente inteira dentro de um computador.
A mosca virtual se comporta como uma mosca real. Reage a estímulos. Toma decisões. Anda.
Leu direito. Uma mente completa, com todas as suas conexões neurais, rodando em silício. Não é uma aproximação. Não é um modelo simplificado. É o mapa inteiro, funcionando.
Agora segura essa informação. Porque a próxima notícia transforma o significado dela.
Neurônios humanos em um chip aprenderam a jogar Doom
Pois é.
A startup Cortical Labs cultivou cerca de 800 mil neurônios humanos em laboratório, colocou em um chip, e esses neurônios aprenderam a jogar Doom. Sozinhos.
Não é metáfora. Neurônios biológicos reais, em um substrato de silício, processando informações e respondendo ao ambiente de um jogo.
Agora junta as duas notícias. Pensa comigo.
De um lado, conseguimos emular um cérebro inteiro dentro de uma máquina. Do outro, conseguimos fazer neurônios humanos reais operarem dentro de um chip.
O que aparece no meio?
Biocomputação. Download de consciência. Simulação de mentes. Aquele episódio de Black Mirror em que se faz o download da consciência para a nuvem. Se isso for possível, ninguém morre mais? Por outro lado, talvez já estejamos todos dentro de uma simulação.
Todo físico é filósofo em algum momento. E quando eu me embrenho nesses pensamentos, chego a uma conclusão incômoda: matematicamente, há mais evidências de que vivemos em uma simulação do que o contrário.
Minha opinião? Acho que estamos, sim.
Porém, isso é assunto para outro texto. Vamos ao que me pegou de verdade.
Um dono usou o ChatGPT para criar um tratamento contra o câncer do seu cachorro

Um australiano usou o ChatGPT para criar um tratamento personalizado de mRNA para o câncer da sua cachorra.
Reduziu o tumor em 75%.
Essa notícia mexeu comigo. Vivi essa dor recentemente. E fiquei parado, olhando para a tela, me perguntando: será que era possível?
Na real, a pergunta que importa é outra. Se um leigo, sem formação médica, com acesso a uma ferramenta de inteligência artificial, conseguiu criar um protocolo que reduziu um tumor em 75%… o que um profissional treinado consegue?
Médicos, engenheiros, advogados. Barbas de molho.
Já ouvi engenheiro do Vale do Silício dizendo que engenharia é a nova medicina. Não sei se concordo com a frase inteira. Mas entendo o recado. As fronteiras entre profissões estão se dissolvendo. E quem está dissolvendo é a IA.
Aguardemos. Mas não de braços cruzados.
Agentes de IA em 2026: Jensen Huang e o OpenClaw vão mudar o mercado
Por fim, a notícia que conecta tudo.
Jensen Huang, CEO da Nvidia, endossou publicamente o OpenClaw, destacando a tecnologia como peça fundamental para a nova era de agentes de inteligência artificial.
Tradução para o português claro: agentes de IA vão virar mainstream. Rápido.
Quando o CEO da empresa mais valiosa do planeta aponta uma direção, o mercado segue. Grandes empresas brasileiras vão começar a adotar agentes de IA muitíssimo em breve. Isso será assunto de jornais, revistas, reuniões de diretoria, mesas de bar.
E se você não se coçar e aprender a lidar com isso rápido, o mundo não vai ser bonzinho com você.
Não estou sendo alarmista. Estou sendo realista.
A boa notícia? Você não precisa dominar tudo. Não precisa virar programador. Não precisa entender cada paper.
Só precisa começar.
Abre a IA. Pergunta: “Como eu começo a usar agentes de IA no meu trabalho?”
Só pergunte. A resposta vai te surpreender.
O mapa que se desenha quando você junta tudo
Emulação completa de cérebros. Neurônios biológicos em chips. Inteligência artificial criando tratamentos médicos. Agentes autônomos virando infraestrutura padrão.
Isso não é o futuro. Isso é março de 2026.
A velocidade não está aumentando aos poucos. Está dobrando. E cada dobra parece impossível até acontecer. Depois, parece óbvia.
Eu leio, mastigo e trago para você toda sexta. Porque acredito que informação mastigada na hora certa muda trajetória.
Se uma dessas notícias te incomodou, ótimo. Incômodo é o primeiro sinal de que você está prestando atenção.
Semana que vem, tem mais.
A ponte existe. Alguém precisa cruzar primeiro.
Perguntas frequentes sobre inteligência artificial em 2026
O que é biocomputação?
É a convergência entre biologia e computação. Cientistas estão usando neurônios biológicos reais como unidades de processamento.
O que são agentes de IA e por que estão em alta em 2026?
Agentes de IA são sistemas que operam de forma autônoma, tomando decisões sem intervenção humana constante. Com o endosso da Nvidia, a expectativa é que se tornem infraestrutura padrão.
É possível usar inteligência artificial para tratar doenças?
Já está acontecendo. Um caso recente mostrou um australiano usando o ChatGPT para criar um protocolo de mRNA personalizado, reduzindo um tumor em 75%.
Como começar a usar inteligência artificial no trabalho?
Abra uma ferramenta de IA como o ChatGPT e pergunte como ela pode ajudar nas suas tarefas diárias. A curva de aprendizado é menor do que você imagina.
O mercado de inteligência artificial no Brasil vai crescer em 2026?
Tudo indica que sim. Setores como logística, saúde, finanças e agro já estão investindo em soluções de IA.
Mauro Favoretto é CEO da Kargu, físico formado pela USP e escreve toda sexta sobre IA, empreendedorismo e tecnologia. Esta é a primeira edição da Sexta da IA.





