Blog do Mauro Favoretto

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Por que startups de IA fracassam: a armadilha da ideia óbvia

Silhueta com codigo binario representando inteligencia artificial e startups de IA

Sempre carreguei um mantra comigo: a primeira ideia nunca é boa.

Toda vez que joguei contra esse mantra, me ferrei. E mesmo sabendo disso, joguei de novo. Porque a tentação de uma ideia que parece óbvia é quase irresistível.

Deixa eu te contar como isso aconteceu na prática.

O penalty de 3 anos e o desvio de rota

Vendi minha primeira startup e tomei o que eu chamo de penalty. Um acordo de não competição de três anos. Sem poder atuar com transporte, que é a área que eu domino.

O que fazer com três anos de exílio forçado?

Me joguei no marketing digital. Estudei copy, design, tráfego pago, tráfego orgânico. Mergulhei fundo, sem pressa. E confesso que gostei bastante. É maneiro trabalhar diretamente com vendas e estratégias.

Hoje vejo esses três anos como um dos maiores diferenciais que tenho. A bagagem de marketing me ajuda a pensar estratégias de go-to-market que a maioria dos founders de tecnologia simplesmente não enxerga. Porque não viveu aquilo na pele.

Mas na época, eu não sabia disso. Eu só estava tentando me manter relevante.

A micro ferramenta que abriu uma porta enorme

Quando a inteligência artificial surgiu e programar voltou a ficar interessante, juntei as duas bagagens. Tecnologia e marketing.

Empreendedor pensando em ideias para startup

A primeira solução que criei foi uma micro ferramenta que analisava posts de redes sociais e dizia exatamente o que faltava para aquele conteúdo performar bem. Simples. Direto. Útil.

Mas o objetivo não era a ferramenta em si.

Eu a criei com um único intuito: convencer um grande influenciador a se tornar o motor de vendas da minha próxima empreitada.

Deu certo. A ferramenta serviu como prova de competência, como cartão de visitas vivo.

Aí veio a decisão seguinte. E é aqui que o mantra grita.

A ideia que toda startup de IA teve ao mesmo tempo

Meu sócio na época sugeriu: “Vamos fazer conteúdo utilizando IA.”

Eu segui sem questionar. Afinal, era uma dor real. Todo mundo reclamava da dificuldade de produzir conteúdo com consistência. Fazia sentido. Parecia perfeito.

Percebe o padrão?

A primeira ideia que qualquer pessoa de marketing teve ao ver a inteligência artificial foi exatamente essa. Fazer conteúdo com IA. É a resposta mais óbvia, mais intuitiva, mais… comum.

E comum é perigoso.

Porque conteúdo é traiçoeiro. O grande resultado que o seu cliente espera — engajamento, alcance, vendas — não depende só do seu algoritmo. Depende do algoritmo de terceiros. Da rede social. E a rede social troca de regra o tempo todo. Sem aviso. Sem piedade.

Você pode construir a melhor ferramenta de conteúdo com IA do mundo. Se o Instagram decide mudar o peso dos Reels amanhã, seu cliente vai achar que a culpa é sua.

Quando o mercado de inteligência artificial vira oceano vermelho

Em poucos meses, percebi o que estava acontecendo.

O mercado de ferramentas de conteúdo com IA se tornava um oceano vermelho em velocidade absurda. A barreira de entrada era praticamente inexistente. Qualquer desenvolvedor com acesso a uma API de linguagem conseguia criar algo parecido em semanas.

E o melhor: meus futuros concorrentes compraram a assinatura da minha ferramenta. Estudaram a solução por dentro. E depois lançaram coisas semelhantes.

Até um grande player fez isso. Né não, Ícaro?

Quando a sua ideia é a primeira que todo mundo tem, você não está competindo com meia dúzia de startups. Está competindo com o mercado inteiro.

Por que a maioria das startups brasileiras de IA vai fracassar

A primeira ideia é sempre a mais comum. Ela surge porque é óbvia. E o que é óbvio para você, é óbvio para centenas, talvez milhares de pessoas ao mesmo tempo.

No mercado de inteligência artificial no Brasil e no mundo, ainda estamos vivendo a era das primeiras ideias. Chatbots de atendimento. Geradores de conteúdo. Resumidores de texto. Assistentes genéricos. Tudo isso é a camada superficial.

Ainda não surgiu o Uber da inteligência artificial. Aquela sacada que quando você vê, diz: “Uau, genial!”

Quando será que esse momento vai chegar? Ou será que as IAs, ao tornarem tudo mais replicável, vão impedir que esse tipo de genialidade de modelo de negócio exista?

Não tenho a resposta. Mas tenho o mantra.

O que a primeira ideia realmente é

A primeira ideia não é lixo. Ela é o ponto de partida. O rascunho zero.

O erro não é ter a primeira ideia. Todo mundo tem. O erro é se apaixonar por ela. É segui-la sem questionar só porque parece fazer sentido. É confundir “faz sentido” com “é a melhor opção”.

Se eu pudesse voltar no tempo, não teria ignorado meu próprio mantra. Teria investido mais tempo procurando a segunda ideia. A terceira. A quarta. Aquela que não é óbvia. Aquela que incomoda um pouco.

Porque quando todo mundo entende sua ideia de primeira, cuidado. Significa que todo mundo pode executá-la também.

Foi exatamente essa reflexão que me fez voltar para a logística, onde a barreira de entrada não é um prompt de comando e o impacto real acontece no mundo físico.

Perguntas frequentes sobre startups de IA

Por que tantas startups de inteligência artificial fracassam?
A maioria aposta na mesma ideia óbvia. Sem barreira de entrada real, o mercado satura em meses.

Qual o maior erro ao criar uma startup brasileira de IA?
Seguir a primeira ideia sem questionar. Se ela parece óbvia para você, é óbvia para centenas de outros founders.

O mercado de inteligência artificial no Brasil está saturado?
A camada superficial, sim. Mas logística, saúde, agro e indústria ainda têm espaço enorme para soluções de IA com impacto real.

Como diferenciar minha startup de IA dos concorrentes?
Fuja da API pura. Resolva problemas que exigem conhecimento de domínio e operação no mundo físico.


Mauro Favoretto é CEO da Kargu, físico formado pela USP e escreve sobre IA, empreendedorismo e tecnologia.

A ponte existe. Alguém precisa cruzar primeiro.

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